terça-feira, 14 de junho de 2022

Michelle Bachelet, a apologista da ONU para ditadores

Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile
Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Alto-comissário das Nações Unidas saiu em turnê pela China para disseminar a propaganda de Pequim

No mês passado, os humanitários se revoltaram quando Michelle Bachelet, alto-comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos, saiu em turnê pela China, para disseminar a propaganda de Pequim.

Para quem luta pela liberdade em Cuba, a atuação do alto-comissário não foi uma surpresa. Durante a Guerra Fria, Bachelet estava do lado dos soviéticos e é uma admiradora da revolução cubana. “Vamos encerar a realidade”, advertiu Mary Anastasia O’Grady, em artigo publicado no The Wall Street Journal. “Os direitos humanos não são coisas dela.”

Segundo o portal Axios, a ex-presidente do Chile elogiou as políticas de controle de opinião sobre a cidade de Xinjiang, onde o regime deteve cerca de 1 milhão de uigures e outras minorias. “Bachelet descreveu as políticas da China como uma forma de ‘contraterrorismo’, destinada a combater atos violentos de extremismo”, escreveu a colunista. “Ela também se referiu às instalações de detenção em massa como ‘centros de treinamento vocacional e educacional’, o eufemismo do governo para os campos.”

Não é a primeira vez que Bachelet fica do lado dos totalitários. A socialista chilena, que escolheu viver na Alemanha Oriental de 1975 a 1979 e a descreveu como uma experiência “bela”, é uma discípula dedicada de Fidel Castro. Em 2019, Bachelet fez uma peregrinação em Cuba para se sentar aos pés do velho tirano. Em 2016, quando “El Comandante” morreu, Bachelet tuitou que Fidel havia sido “um líder pela dignidade e pela justiça social em Cuba.”

Em aproximadamente quatro anos no cargo mais alto de direitos humanos na ONU, seus raros protestos contra o regime cubano foram, na melhor das hipóteses, tímidos. A declaração dela emitida depois da revolta de 11 a 12 de julho de 2021 contra o estado policial é um exemplo disso.

“A internet estava cheia de vídeos de civis desarmados sendo espancados e alvejados em cidades e vilas por seguranças estatais paramilitares”, lembrou Mary. “No entanto, Bachelet chamou as ações da ditadura de um ‘suposto uso de força excessiva’. Milhares foram levados para a prisão, enquanto amigos e familiares procuravam freneticamente pelas vítimas. Bachelet disse que alguns detidos foram ‘supostamente mantidos incomunicáveis’. Ela sugeriu um ‘diálogo’ entre a ditadura e a população impotente.”

Enquanto Bachelet pedia a libertação dos detidos, também culpava as sanções dos Estados Unidos pelas dificuldades da ilha. No entanto, nunca mencionou o bloqueio interno de Cuba ao próprio povo — a causa da terrível pobreza. Esse não é um ponto menor. Em vez disso, expõe suas prioridades.

“A ditadura é um símbolo do sucesso antiamericano porque sobreviveu a décadas de oposição dos Estados Unidos”, observou a colunista. “Aos olhos da esquerda internacional, isso a torna heroica e exige que seja protegida a todo custo. Os bravos inconformistas da sociedade civil cubana, que o regime está determinado a extirpar, são apenas danos colaterais em uma guerra mais ampla contra os valores do Ocidente.”

A qualquer momento, Havana deve anunciar vereditos nos julgamentos a portas fechadas do artista Luis Manuel Otero Alcántara e do rapper Maykel “Osorbo” Castillo. Os dois homens fazem parte do Movimento San Isidro de Havana, fundado para resistir pacificamente à censura do governo às artes.

Castillo é coautor do hino dissidente Patria y Vida, que ganhou dois Grammys Latinos em novembro. “Ele não pôde aceitar os prêmios em Las Vegas porque está preso em Cuba há mais de um ano”, disse a colunista. “Otero Alcántara, várias vezes preso arbitrariamente, está preso desde julho. Seus julgamentos terminaram em maio. Castillo pode pegar até dez anos de prisão. Otero Alcántara pode ser sentenciado a sete anos.”

Centenas de outros participantes dos protestos do ano passado estão definhando nas masmorras cubanas por crimes como desrespeito, desordem pública e desobediência. A organização não governamental Cubalex documentou a prisão de quase 1,5 mil pessoas depois das marchas de julho. Mais de 700 delas continuam presas. Dos 700 cidadãos que não estão atrás das grades, nem todos estão livres. Parte deles está em liberdade sob fiança ou em prisão domiciliar. O paradeiro de 34 pessoas ainda é desconhecido.

“Dois meses depois do levante, um relatório global sobre os direitos humanos divulgado pelo escritório de Bachelet omitiu Cuba da lista”, afirmou Mary. “A Cubalex observou em um tuíte que não houve uma única menção ao que está acontecendo hoje na ilha: a repressão, a crise sanitária, a crise alimentar e as constantes violações dos direitos humanos.”

Como observa a colunista, é difícil evitar a conclusão de que as simpatias do alto-comissário são dedicadas aos opressores, seja em Cuba seja na China. “Se a ONU busca credibilidade, Bachelet precisa sair”, concluiu Mary.

Edilson Salgueiro