quarta-feira, 15 de junho de 2022

Em carta, Conmebol ataca a Fifa por declaração de Wenger e regra das cinco substituições

Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, e Giani Infantino, presidente da Fifa: entidades entram em rota de colisão (Foto: Getty Images)
A Conmebol divulgou nesta terça-feira à noite trechos de uma carta enviada à Fifa, na qual faz duas críticas duras à entidade com sede em Zurique. O primeiro tema abordado pelo documento da Conmebol é uma recente declaração de Arsene Wenger, chefe do departamento de Desenvolvimento Global de Futebol da Fifa.
Kylian Mbappé tem raízes africanas, mas se formou na Europa [...]. Se tivesse nascido em Camarões, não haveria se transformado no atacante que é hoje. Existe a Europa e existe o resto do mundo,. E o resto do mundo precisa de ajuda, se não vamos perder muitos talentos – declarou Wenger num congresso de técnicos ocorrido na Alemanha há duas semanas.
Na Conmebol, a declaração foi tomada como um gesto discriminatório. No comunicado publicado em seu site, a entidade afirma que Wenger, francês, ex-técnico do Arsenal da Inglaterra, "revela ignorância incomum sobre a valiosa contribuição dos jogadores africanos ao futebol mundial, especialmente ao futebol europeu".
– Assim como os africanos, nós sul-americanos conhecemos muito bem e em primeira mão este tipo de atitude, que se baseia na crença de que o mundo começa e termina na Europa. O talento, o espírito de sacrifício e o desejo de superação dos jogadores africanos e sul-americanos devem ser valorizados e respeitados – diz trecho da carta da Conmebol para a Fifa.
O segundo tema a merecer críticas da Conmebol foi o fato de a Ifab ter aprovado uma mudança nas regras para permitir cinco substituições em jogos oficiais "sem um processo de consulta que teria enriquecido o debate".
Sempre de acordo com a Conmebol, nem a confederação e nem suas dez associações filiadas foram consultadas sobre o assunto. A própria Conmebol já adota em seus torneios de clubes (como a Copa Libertadores e a Sul-Americana) a regra das cinco trocas. A confederação se queixa da falta de debate sobre a transformação de uma regra temporária em algo permanente.
– Esta é uma prática de exclusão que tem sido repetida nos últimos tempos e está causando grande preocupação.
Há alguns anos Fifa e Conmebol estão em lados opostos em várias discussões. A confederação sul-americana se aliou à Uefa, com quem lançou uma série de torneios em conjunto.

Por Redação do GE
Luque, Paraguai