quarta-feira, 1 de junho de 2022

Cuba emplaca ‘Mais Médicos’ no México

Cuba e México firmaram um acordo de cooperação
 na área da saúde pública | Foto: Reprodução/PXHere

Pelo menos 500 profissionais de saúde devem trabalhar em áreas rurais do país norte-americano

As relações entre México e Cuba se acentuaram desde a chegada de Miguel López Obrador à Presidência. O histórico recente de contatos, reuniões e viagens é extenso. A última viagem do presidente mexicano a Havana, por exemplo, foi no início de maio. Na ocasião, López Obrador se ofereceu para dissuadir o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, da ideia de remover Cuba, Nicarágua e Venezuela da Cúpula das Américas.

Mas também há acordos de cooperação na área de saúde pública, centrados principalmente em emergências sanitárias, aquisição de vacinas cubanas e atendimento a pacientes com covid-19. Isso implica a contratação de médicos cubanos, como ocorreu em 2020, quando 588 profissionais de saúde desembarcaram na Cidade do México.

Desta vez, mais 500 médicos devem ser escalados para cobrir as regiões mais remotas do México. López Obrador justifica essa medida por uma aparente falta de profissionais de saúde, especialmente em áreas rurais.

O Banco Mundial informa que há 4,8 médicos para cada mil habitantes no México. Na Argentina, há 4 profissionais para cada mil habitantes. Na Holanda, a proporção é de 3,5, enquanto na França é de 3,2. Reino Unido (2,8), Canadá e Estados Unidos, com 2,6, completam a lista.

O problema no México não é o número de médicos, mas a má política de saúde pública, observa Hector Schamis, professor-adjunto do Centro de Estudos Latino-Americanos da Escola de Relações Exteriores da Universidade Georgetown, nos Estados Unidos. “E, em última análise, se a escassez de médicos fosse verdadeira, existem organizações filantrópicas que mobilizam recursos para prestar assistência médica em situações de vulnerabilidade”, observou o colunista do portal Infobae.

Como mostrou reportagem publicada na Edição 111 da Revista Oeste, as missões médicas cubanas violam os direitos humanos. Uma vez que estão em seus novos “lares”, os profissionais de saúde têm o passaporte retido e a maioria do salário confiscada. A recusa em obedecer às ordens da ditadura cubana implica riscos aos médicos e aos familiares.

Diante das críticas e das denúncias de exploração, López Obrador disse que os cubanos receberão o mesmo salário dos mexicanos. Mesmo assim, essas missões foram classificadas como trabalhos análogos à escravidão, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Edilson Salgueiro