terça-feira, 21 de junho de 2022

Corte de gás natural pela Rússia deixa Europa em alerta

O abastecimento de gás russo para a Europa está ameaçado
 Ilustração: Victoria Viper/Shutterstock

Países do continente ainda não conseguiram armazenar o insumo, que seria importante nos meses de inverno

O corte de gás natural pela Rússia está pondo em risco os planos da Europa de estocar combustível. Isso seria fundamental para os países do continente lidarem com o inverno.

Na Europa, o verão é conhecido como “a estação de enchimento”. Como mostra reportagem publicada no The Wall Street Journal, a menor demanda por gás natural nesse período permite que os países europeus reabasteçam sua vasta rede de armazenamento subterrâneo para os meses mais frios, quando o consumo dispara. O armazenamento inclui cavernas de sal, rochas porosas, aquíferos e campos de gás. O esforço deste ano para reabastecer esses reservatórios tornou-se um indicador observado de perto para a segurança energética da Europa.

“O trabalho se tornou muito mais difícil depois que a Rússia anunciou, na semana passada, o corte de metade dos suprimentos para a Europa”, escreveu a jornalista Jenny Strasburg. “Em resposta, a Alemanha lançou neste fim de semana uma série de medidas de emergência. Berlim retomou as atividades em usinas movidas a carvão e decidiu que oferecerá incentivos para as empresas reduzirem o consumo de gás natural.

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Os fluxos de gás natural pelo Gasoduto Nord Stream, a principal via do insumo russo para a Europa, caíram acentuadamente em relação aos níveis considerados normais. Se permanecerem nos patamares atuais, a Europa terá dificuldades para atingir 70% da capacidade de armazenamento até novembro.

Isso ficaria aquém da meta da União Europeia (UE) de atingir 80% do armazenamento pretendido até o fim deste ano. Um inverno frio em 2023 pode esgotar os suprimentos mais rapidamente que o normal, o que poderia causar uma escassez completa.

“Historicamente, a Europa tem usado sua rede de armazenamento de gás para se proteger contra a escassez no inverno”, disse Jenny.

Os Estados membros da UE têm, juntos, mais de mil terawatts-hora de capacidade — ou cerca de 100 bilhões de metros cúbicos. Essa estrutura está espalhada por 160 instalações subterrâneas, instaladas em 18 países. O combustível armazenado para os meses mais frios normalmente cobre de 25% a 30% da demanda de inverno. Mais de 70% dessa capacidade subterrânea está concentrada na Alemanha, Itália, Áustria, Holanda e França.

Segundo o grupo industrial Gas Infrastructure Europe, o armazenamento em toda a UE estava em 54% neste fim de semana. O preço do gás natural no noroeste da Europa subiu mais de 50% na semana passada e está mais de quatro vezes maior do que há um ano.

Durante o inverno de 2020-21, de outubro a março, 720 terawatts-hora de gás foram removidos do armazenamento subterrâneo da Europa. Em nenhum outro momento da História um número tão alto foi verificado. Na prática, isso significa que os países do continente saíram do inverno com volumes de armazenamento excepcionalmente baixos e tiveram de recuperar o atraso.

Edilson Salgueiro