segunda-feira, 14 de março de 2022

Moradores de rua ocupam estações do sistema BRT no Rio; veja fotos

Morador de rua dorme em estação do BRT. 
FRANQUILIN TEIXEIRA/R7

Pessoas dormindo nas estações, entulho, pichações reforçam o abandono do sistema de transporte da Prefeitura na gestão Paes

O dia amanhece no Rio de Janeiro. Na estação Penha I, na zona norte da cidade, passageiros aguardam a chegada de um ônibus do sistema BRT. Estação pichada, os usuários do transporte público carioca se aglomeram em uma parte da plataforma enquanto outro pedaço é ocupado por moradores de rua.

Na estação Santa Luzia, também da linha Transcarioca, a situação é idêntica com muito entulho espalhado dentro da estação.

O flagrante foi feito pela equipe do R7 na manhã deste sábado (12). Sem a presença da multidão de passageiros que utiliza o transporte durante a semana, foi possível perceber a situação de abandono de muitas estações, que estão sendo usadas como abrigo para moradores de rua. Foi o que foi possível encontrar nas estações Santa Luzia, Penha 1, Penha 2, Mercadão de Madureira e Tanque. E moradores de rua tomando conta dos bancos.

O caminhoneiro Almir Lopes, morador de um apartamento em prédio localizado em frente à estação Penha 1, reclama do abandono provocado pela instalação do BRT.

"Ônibus quebrados, sempre lotados, o serviço é péssimo. O ônibus demora, e quando vem, vem superlotado. E ainda por cima os moradores de rua ocupam as estação", afirma Lopes (veja no video acima).

Morador de rua dorme em estação do BRT. 
FRANQUILIN TEIXEIRA/R7

"Quando o BRT veio para a Penha, nós moradores do prédio achamos que seria uma boa coisa, mas infelizmente não foi. Temos agora apartamentos vazios e ninguém consegue vender. Infelizmente nos tornamos vítima da Prefeitura com esse abandono."

O acolhimento das pessoas em situação de rua é responsabilidade da Prefeitura do Rio de Janeiro. A utilização das estações do BRT como abrigo é mais um detalhe do caos e abandono que este sistema de transporte público criado no primeiro mandato do prefeito Eduardo Paes, em 2012, se encontra.


Sujeira e entulho em estação do BRT. FRANQUILIN TEIXEIRA/R7

Inaugurado em 2012, na gestão anterior de Eduardo Paes, o sistema do BRT acumula um histórico de problemas. Desde o serviço precário oferecido à população diariamente até indícios  de corrupção, que levaram à condenação do ex-secretário de Obras Alexandre Pinto, após ter admitido o recebimento de propina de uma das empresas que participaram da implementação dos corredores exclusivos.

Em meio ao caos, o prefeito Eduardo Paes alegou que o sistema estaria sendo alvo de sabotagem. Ele já havia levantado suspeita de que os empresários de ônibus estariam por trás da greve de motoristas ocorrida há cerca de duas semanas

As acusações ocorreram depois que a prefeitura retirou das empresas de ônibus a gestão do BRT e a repassou para a empresa pública Mobi-Rio. As declarações foram repudiadas pelo grupo que representa os empresários, o Rio Ônibus.

Estação do BRT pichada. FRANQUILIN TEIXEIRA/R7

Na avaliação do especialista em Transportes da FGV (Fundação Getulio Vargas) Marcus Quintella, seria necessário começar do zero para atender às demandas da população carioca que precisa de transporte público. "A solução ideal mesmo seria acabar com tudo e construir uma linha de trem ou metrô, mas isso em curto a médio prazo é praticamente impossível, por questões orçamentárias. Talvez em longuíssimo prazo isso venha a acontecer."

A Prefeitura do Rio informou que, na próxima quarta (16), vai realizar a primeira licitação para a compra de 307 ônibus para renovar a frota do BRT. Os veículos chegarão em outubro. Outros 250 serão entregues até 2023.

Do R7