Embaixador da Nicarágua chama o próprio país de ‘ditadura’

O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, no poder 
desde 2007 | Foto: Divulgação/Presidência da Nicarágua

Arturo Yescas fez a acusação durante reunião da Organização dos Estados Americanos

O embaixador da Nicarágua na Organização dos Estados Americanos (OEA), Arturo McFields Yescas, se rebelou e acusou o regime de Daniel Ortega de ser uma ditadura.

“Denunciar a ditadura do meu país não é fácil, mas continuar em silêncio e defender o indefensável é impossível” disse Yescas na quarta-feira 23 em uma reunião do Conselho Permanente da OEA. No vídeo, ele disse que “falava em nome de 177 presos políticos e de mais de 350 mortos desde 2018”.

Ele relatou que no país há repressão à oposição política, abusos de direitos humanos e a liberdade de expressão não existe. Também citou casos de presos políticos, fechamento de organizações não-governamentais e censura, antes de anunciar que deixava o posto.

 “Tenho que falar, ainda que tenha medo, e ainda que meu futuro e o da minha família sejam incertos”, afirmou ele.

O representante foi nomeado para o cargo atual em novembro de 2021. Yescas é formado em jornalismo e atua como diplomata ao menos desde 2011, com passagens por outros postos da missão do país na OEA.

Em um comunicado, a ditadura nicaraguense afirmou que “Yescas não nos representa, portanto, nenhuma de suas declarações é válida”.

Na nota, a Nicarágua assegura que a pessoa “devidamente credenciada” como representante do país na OEA não é Yescas, mas o embaixador Francisco Campbell Hooker.

No entanto, no site oficial da OEA, quem aparece como representante permanente é Yescas, enquanto Iván Lara aparece como representante suplente. Francisco Campbell, atual embaixador da Nicarágua nos Estados Unidos, não aparece. Seu filho, Michael Campbell, foi representante interino da Nicarágua na organização antes da chegada de Yescas.

A Nicarágua é presidida por Daniel Ortega, de 76 anos, que em sua segunda passagem pela presidência, está no cargo desde 2007. Nas eleições de 2021, vencidas por Ortega, os candidatos opositores que poderiam ter uma votação expressiva foram presos antes do pleito e o processo não foi reconhecido como legítimo pela comunidade internacional.

Antigo revolucionário de esquerda, Ortega já mandou prender até mesmo seus ex-companheiros da época de guerrilheiro. A ditadura da Nicarágua acusa os opositores de conspirar com os Estados Unidos para derrubar o presidente do poder.

Redação Oeste

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