Bolsonaro volta a criticar Petrobras e admite possibilidade de trocar presidente da estatal

Presidente Jair Bolsonaro disse, mais uma vez, não ter
 poder para interferir na política de preços da Petrobras. 
JOÃO GABRIEL RODRIGUES/FATOPRESS

Presidente também defendeu que a estatal fosse privatizada; chefe do Executivo subiu o tom após a empresa anunciar reajuste no preço dos combustíveis

O presidente Jair Bolsonaro (PL) subiu, nesta quarta-feira, 16, o tom das críticas à Petrobras pelo reajuste de preços anunciado há uma semana. O chefe do Executivo lamentou o fato da diretoria da estatal não ter aguardado a aprovação do pacote dos combustíveis no Congresso Nacional antes de anunciar a mudança. Bolsonaro disse estar esperando um posicionamento da empresa a cerca de uma revisão do reajuste, que, segundo ele, foi “absolutamente majorados”. Durante a entrevista à TV Ponta Grossa, do Rio Grande do Norte, o presidente garantiu que o governo federal tomará medidas para conter um novo aumento no preço do diesel e gasolina. “Qualquer nova alta a gente vai, da nossa parte aqui, desencadear um processo para que esse reajuste não chegue na ponta da linha para o consumidor. É impagável o preço dos combustíveis no Brasil. E, lamentavelmente, a Petrobras não colabora com nada”, apontou o presidente.

Bolsonaro aproveitou para enfatizar, mais uma vez, que não tem poderes sobre a política de preços da Petrobras e defendeu que a empresa fosse privatizada. “Muita gente me critica, como se eu tivesse poderes sobre a Petrobras, não tenho poderes sobre a Petrobras. Para mim, é uma empresa que poderia ser privatizada hoje, ficaria livre deste problema. E a Petrobras se transformou na Petrobras Futebol Clube, onde o clubinho lá de dentro só pensa neles, jamais pensam no Brasil.” Em outro momento, o presidente disse ter pedido à diretoria da estatal que segurasse o reajuste até que os projetos de Lei passassem pelo SenadoCâmara e fossem sancionados por ele. “Foi feito um contato com a Petrobras, porque chegou para a gente que eles iam reajustar na quinta-feira da semana passada, e foi feito um pedido para que deixassem para o dia seguinte. Eles não nos atenderam. Nós não podemos interferir nos preços da Petrobras. Se pudesse, as decisões seriam outras”, enfatizou Bolsonaro, que descreveu o aumento praticado pela empresa como um “crime contra a população”.

Ao ser questionado sobre trocar o presidente da Petrobras, Bolsonaro disse que “existe essa possibilidade”. “Todo mundo no governo, ministros, secretários, diretores de empresas, presidentes de estatais podem ser substituídos se não estiverem fazendo o trabalho a contento. Então, eu não quer dizer que vai ser trocado ou que não vai ser trocado. Eu só não posso trocar o vice-presidente da República. O resto, todos podem ser trocados, obviamente, por motivos de produtividade, por motivo de falha ou omissão no respectivo serviço”, explicou. Atualmente, o general Silva e Luna está à frente da estatal. O antigo presidente da empresa Roberto Castello Branco foi demitido em fevereiro de 2021 em meio a uma escalada de preços. Além de Bolsonaro, seus filhos e os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), entoaram críticas à decisão da Petrobras.

Por Jovem Pan

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