A Ucrânia está vendendo caro os avanços russos, diz coronel da reserva

Paulo Filho é mestre em Ciências Militares pela
 Escola de Comando e Estado-Maior do Exército 
Foto: Reprodução/YouTube


De acordo com Paulo Filho, o Kremlin está enfrentando dificuldades para alcançar seus objetivos

Os russos estão enfrentando dificuldades para vencer a batalha contra a Ucrânia, afirmou o coronel da reserva Paulo Filho, em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da rádio Jovem Pan, exibido nesta terça-feira, 15.

De acordo com Filho, que é mestre em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, Kiev está cobrando caro os avanços russos. “É difícil imaginar que a Rússia não vencerá o conflito, mas os ucranianos estão resistindo obstinadamente”, ressaltou.

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— Entre Rússia e Ucrânia, quem está vencendo a guerra?

Embora a disparidade de poder militar seja grande, e a maioria dos analistas esperasse que a Rússia tivesse mais facilidade para alcançar seus objetivos, na prática, estamos observando uma pausa nas operações. Aparentemente, os russos precisam se reorganizar, porque estão com dificuldades logísticas. A Ucrânia tem feito uma defesa obstinada e está cobrando caro os avanços russos em quatro frentes — norte, sul, leste e oeste. É difícil imaginar que a Rússia não vencerá o conflito, mas os ucranianos estão resistindo obstinadamente.

— Qual é a maneira mais correta de obter informações sobre o conflito?

A primeira vítima de uma guerra é a verdade. Nos dias atuais, o combate não ocorre apenas no campo da tática, do terreno, do atrito, do confronto. Isso também acontece no campo informacional. Os dois lados criam uma narrativa e querem fazer valer suas versões. Moscou afirma que a Ucrânia é governada por nazistas que promovem o genocídio de uma minoria russa no país. O lado ucraniano, por sua vez, diz sofrer ataques covardes. Isso é verdade, mas também há um exagero. Faz parte da guerra de informação.

— Como funciona a tática blitzkrieg?

É uma doutrina criada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial. Baseia-se no emprego dos carros de combate, das tropas blindadas e da aviação. Isso serve para ganhar velocidade nas operações militares. É assim que funciona a blitzkrieg. No conflito entre Rússia e Ucrânia, essa tática foi interrompida. O desafio logístico que os russos estão enfrentando é muito grande. Para andar 50 quilômetros com seus tanques, a Rússia gasta aproximadamente 5 milhões de litros de combustível por dia. Imagine como é levar tudo isso para o campo de batalha. A outra forma de avançar contra o inimigo é pelo fogo, pelo bombardeio, pelo lançamento de mísseis.

— Todo o arsenal militar russo pode ser usado nesse conflito?

Os russos não empregaram todo seu poderio militar. Eles possuem uma bomba, chamada termobárica, que tem um efeito devastador. Ainda não houve comprovação efetiva do uso dessa arma. Outro armamento polêmico são as bombas clusters. Essas, sim, foram utilizadas. Sem falar no armamento nuclear. A Rússia consegue exercer a estratégia da dissuasão perfeitamente. Em termos práticos, isso significa que um país consegue se mostrar forte o suficiente para evitar as ações do inimigo. Por ter um arsenal nuclear, a Rússia dissuade a Organização do Tratado do Atlântico Norte [Otan] de entrar no combate.

Edilson Salgueiro

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