Cientista da UFRJ vence prêmio da revista Nature

Alessandra Filardy é professora do Instituto de Microbiologia
 Paulo de Góes, da UFRJ | Foto: Arquivo pessoal


Única mulher da lista tríplice, Alessandra Filardy é professora de Imunologia e foi reconhecida por ajudar a moldar a carreira de jovens pesquisadores no Brasil

Três cientistas brasileiros foram agraciados com o Nature Awards for Mentoring in Science, da revista Nature, uma das mais prestigiadas do planeta quando se fala em ciência. O prêmio se deve à ajuda à carreira de jovens pesquisadores. A professora Alessandra D’Almeida Filardy, do Departamento de Imunologia do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes (IMPG), da UFRJ, foi a única mulher agraciada. Também foram reconhecidos os docentes Carlos Menck, da Universidade de São Paulo (USP), e Waldiceu Verri, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O prêmio no valor de US$ 10 mil será dividido entre os três professores.

A editora-chefe da Nature e presidente do júri, Magdalena Skipper, destacou a relevância da distinção. “A orientação de jovens pesquisadores talvez seja a atividade menos comentada que acontece em um laboratório, mas está entre as mais importantes. Os mentores desempenham um papel fundamental para ajudar a forjar o futuro da ciência por meio de seu apoio a seus mentoreados e estamos muito satisfeitos que o Nature Awards for Mentoring in Science possa destacar o valor de seu tempo e compromisso”, disse.

Alessandra Filardy orienta estudantes em dois programas de pós-graduação na UFRJ: Microbiologia e Imunologia e Inflamação. Ela é elogiada por seu estilo de orientação pessoal e foco em reconhecer que o sucesso pode ter muitas faces. Os alunos destacam que ela não é simplesmente uma chefe, mas “o esqueleto da equipe”, fornecendo-lhes a “estrutura e força” necessárias para continuar na pesquisa.

A professora vencedora do prêmio relembra sua trajetória acadêmica. “Eu ingressei na UFRJ em 2005 como aluna de doutorado de Imunologia no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF). Logo após o doutorado, fiquei por dois anos como pós-doutoranda, também no IBCCF. Em 2016, tomei posse como professora adjunta de Imunologia no IMPG e, em 2020, assumi a chefia do Laboratório de Imunologia Celular, onde desenvolvo atividades de pesquisa e treinamento de estudantes na linha de pesquisa Regulação das Respostas Imunes Celulares, com ênfase em mucosas”, diz Filardy.

“É uma linha nova que implantei na UFRJ e nosso foco é entender como as células do sistema imunológico associado às mucosas são reguladas, principalmente em decorrência da ingestão de células mortas. Compreender essa regulação nos ajudará a entender como alguns indivíduos são mais suscetíveis a desenvolver inflamações mais graves nos pulmões e intestinos, por exemplo. Além das atividades de pesquisa, de mentoria e de atividades de docência na graduação e pós-graduação, também participo de iniciativas de extensão e ocupo cargos de gestão administrativa, como coordenadora de Internacionalização do IMPG, contribuindo nos três pilares da Universidade [ensino, pesquisa e extensão]”, afirma a pesquisadora.

A pesquisadora Alessandra Filardy e equipe 
Foto: Arquivo pessoal

A cientista comenta sobre os sucessivos cortes e o relacionamento com os alunos para minimizar os prejuízos que o país protagoniza por não dedicar a atenção devida à ciência, tecnologia e inovação.

“Nos anos 2000 até meados da década de 2010, vivemos um período de muito investimento e avanços na ciência brasileira. O cenário começou a mudar por volta de 2016, mas se intensificou especialmente nos últimos três anos devido aos progressivos cortes nos recursos financeiros para a ciência e cortes de bolsas de pós-graduação e pós-doutorado, além, mais recentemente, de intervenções severas na autonomia das universidades. Por isso, considero que preciso não apenas treinar adequadamente novos profissionais, mas também cuidar para que sejam o menos impactados possível por essa fase ruim que estamos enfrentando, mas que vai passar. Assim, motivar e contribuir positivamente na formação de jovens pesquisadores é uma tarefa fundamental para termos um futuro de professores e pesquisadores éticos, dedicados e felizes na caminhada difícil, mas recompensadora do ensino e ciência”, destaca Filardy.

O prêmio

Lançado em 2005, o Nature Awards for Mentoring in Science é concedido anualmente para orientação científica excepcional. Os prêmios reconhecem aqueles que apoiam pesquisadores em início de carreira em seu desenvolvimento e convidam ex-alunos a indicar um mentor que tenha feito uma contribuição significativa em suas trajetórias. A cada ano, o prêmio se concentra em um país ou região diferente, garantindo que aqueles que apoiam o desenvolvimento da ciência em todos os cantos do mundo tenham a oportunidade de ser reconhecidos. Ano que vem, o prêmio deve ser sediado em Cingapura.

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